Coruja-do-mato (Strix aluco). Castelo de Vide.
Coruja-do-mato (Strix aluco). Elvas.
Coruja-das-torres (Tyto alba). Campo Maior.
Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo). Campo Maior.
Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo). Ponte de Sôr.
Entre os próximos dias 10 e 12 de Julho serão libertadas no distrito de Portalegre duas Corujas-do-mato (Strix aluco), uma Coruja-das-torres (Tyto alba) e duas Águias-de-asa-redonda (Buteo buteo).
Estas ave tinham sido recolhidas por equipas do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA/GNR) e entregues no Parque Natural da Serra de S. Mamede, que os encaminhou para o CERVAS, em Gouveia.
A Coruja-do-mato (Strix aluco) é uma ave de rapina nocturna, de dimensão média (pesa cerca de 600g) e aspecto compacto. Possui asas largas e arredondadas e cabeça grande e arredondada. A sua coloração varia entre o castanho-arruivado e o castanho-acizentado e a plumagem é totalmente malhada, com finas riscas e manchas escuras. O disco facial é bastante homogéneo e a cauda barrada de forma fina e indistinta. Possui olhos negros. Realiza voo directo, com batimentos relativamente rápidos e efectua deslizes longos e directos. Alimenta-se de roedores e de insectos, que captura no solo após detecção a partir de um poiso. Esta espécie nidifica em florestas, parques, terrenos agrícolas com árvores, preferindo árvores velhas de folha caduca com buracos onde pode fazer o ninho, e pode ser encontrada na proximidade de zonas habitacionais. São colocados 3 ou 4 ovos em meados de Março. As corujas-do-mato são aves sedentárias e relativamente numerosas em Portugal, distribuindo-se descontinuamente em toda a Península Ibérica devido à fragmentação dos bosques. As principais causas de ingresso destas aves nos centros de recuperação são o atropelamento e a queda do ninho de crias/juvenis.
A Coruja-das-torres (Tyto alba) é uma ave de rapina nocturna (e crepuscular) com cerca de 35cm de comprimento e que pode atingir os 95cm de envergadura. Possui um corpo delgado, asas longas e patas compridas. Tem um disco facial pálido e em forma de coração e olhos escuros. A sua plumagem é tipicamente muito clara (o macho é normalmente mais pálido) e apresenta um voo extremamente silencioso. Esta rapina alimenta-se de ratos, rãs e insectos, regurgitando as porções não digeridas (egagrópilas) e é uma ave sedentária. Nidifica em quintas, montes, moinhos, celeiros, ruínas, igrejas e mesmo em grandes povoações. Constrói o ninho em cavidades nas árvores ou em edifícios, fendas nas rochas e pedreiras e evita, normalmente, as zonas florestais. São colocados 2 a 7 ovos que são principalmente incubados pela fêmea. A coruja-das-torres é uma ave solitária, territorial e monogâmica, podendo ocasionalmente haver bigamia, e ambos os progenitores cuidam e alimentam as crias. As crias são nidícolas (eclodem do ovo sem estar completamente desenvolvidas, não possuindo ainda penas) e os ninhos são utilizados em anos sucessivos.
Em Portugal, verifica-se uma população estável com uma distribuição cosmopolita, ocorrendo por todo o nosso país (mas, aparentemente, mais comum no centro e sul). As principais ameaças a esta espécie são: intensificação e crescente mecanização da agricultura, demolição e reconversão de edifícios antigos, uso de agro-químicos, uso de iscos com veneno (rodenticidas) para eliminar roedores prejudiciais à agricultura e colisão com viaturas.
A Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) é uma das aves de rapina mais comuns em toda a Europa. Tem um aspecto compacto, cabeça redonda e cauda curta, intensamente listada (8-12 riscas transversais). A cor da plumagem é muito variável, desde quase branco a castanho-escuro, zona dorsal geralmente de cor castanha e zona ventral castanho claro com barras longitudinais e transversais mais escuras. Ambos os sexos possuem colorações semelhantes. A fêmea é ligeiramente maior. Distribui-se pela Europa, Ásia e algumas ilhas do Pacífico e ocupa todos os tipos de habitat onde haja árvores e terrenos abertos, sendo frequente nas bordas dos bosques. A época de nidificação inicia-se em Abril e prolonga-se até Julho, podendo-se iniciar um pouco antes em algumas regiões. Os ninhos podem atingir até um metro de diâmetro são construídos com ramos e folhas, em árvores e grandes arbustos. Muitas vezes utilizam o mesmo ninho do ano anterior, acrescentando-lhe mais material. A postura é normalmente de 2 a 5 ovos e a incubação demora 33 a 38 dias. As crias saem do ninho aos 48-62 dias e tornam-se independentes às 15 semanas.
É neste período que se começam a afastar do território dos progenitores. A dieta baseia-se em pequenos mamíferos, principalmente ratos. Complementam a sua dieta com lagomorfos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados, podendo também ter comportamento necrófago. Caça normalmente desde um poiso, mas também em voo sobre terrenos abertos e até caminhando pelo solo. Embora seja uma espécie abundante, tem várias ameaças, entre as quais se destacam as electrocussões, abate ilegal, pilhagem de ninhos, os incêndios florestais e o atropelamento.
A causa de ingresso destes animais no CERVAS foi a debilidade associada ao facto de serem indivíduos jovens que recentemente tinham abandonado os seus ninhos. A entrada de animais muito debilitados e magros é frequente. Os animais mais susceptíveis e com maior índice de mortalidade são os juvenis, sendo o primeiro ano o mais crítico para um animal de qualquer espécie, pois nessa fase podem não estar totalmente aptos para sobreviver de forma independente dos seus pais. Estes indivíduos têm também maior dificuldade em adaptar-se a todos os elementos não naturais do seu habitat (estradas, construções, estruturas), e a sua inexperiência pode não lhes permitir obter a quantidade de presas suficientes para sobreviver. São, por isso, os juvenis de primeiro ano que geralmente entram em estados de caquéxia (magreza extrema) e desnutrição mais avançados. Estas situações são de difícil recuperação, principalmente quando acompanhados de desidratação severa, uma vez que os processos fisiológicos dos animais podem estar irreversivelmente alterados.
Sempre que encontrar um animal selvagem juvenil, deverá contactar o SEPNA: 217503080; SOS Ambiente: 808200520; a área protegida ou o centro de recuperação de fauna mais próximo. A entrega destes animais deve ser feita com a maior brevidade possível para aumentar a probabilidade de êxito da recuperação.
Convidamos todos os interessados a estarem presentes em mais estes momentos de devolução à Natureza de animais recuperados no CERVAS / PNSE, e para tal deixamos os seguintes contactos:
Tel: 962255827
Brevemente serão divulgadas as próximas libertações de aves recuperadas no CERVAS/PNSE que terão lugar em vários locais do Distrito de Coimbra. Entre as aves a libertar estão Penereiros-vulgares (Falco tinnunculus), Milhafres-pretos (Milvus migrans) e um Açor (Accipiter gentilis). Se estiver interessado em assistir a libertações em Coimbra, contacte o CERVAS, por favor.
CAMPANHA DE APADRINHAMENTO DE ANIMAIS SELVAGENS DO CERVAS
Primavera / Verão
Com a passagem da Primavera e chegada do Verão, iniciou-se o regresso das aves migratórias ao nosso país e a época de reprodução de inúmeras espécies. No CERVAS/PNSE, este período reflecte-se num aumento acentuado do número de ingressos e num acréscimo da quantidade e variedade de aves a necessitar de cuidados (como, por exemplo, crias de coruja-do-mato que caíram dos seus ninhos ou ficaram órfãs ou águias-calçadas enfraquecidas pela longa viagem migratória).
Em 2008 o número de ingressos no CERVAS triplicou em relação ao ano de 2007, tendo ingressado até ao momento 187 animais, o que tem gerado uma maior carga de trabalho e um maior esforço por parte de todas as pessoas envolvidas no trabalho diário do centro. Actualmente estão 45 animais em recuperação no CERVAS e a taxa de libertação deste ano tem-se mantido acima dos 50%.
Caso pretenda, poderá apadrinhar um animal ou então divulgar esta campanha reencaminhando este e-mail.
Presentemente, podem ser apadrinhados animais em recuperação no CERVAS das seguintes espécies:
Com uma contribuição mínima de 15 € cada :
Mocho-galego (Athene noctua)
Mocho-de-orelhas (Otus scops)
Coruja-do-mato (Strix aluco)
Coruja-das-torres (Tyto alba)
Milhafre-preto (Milvus migrans)
Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
Águia-calçada (Hieraaetus pennatus)
Tartaranhão-caçador (Circus pygargus)
Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)
Paneireiro-vulgar (Falco tinnunculus)
Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
Raposa (Vulpes vulpes)
Andorinhão (Apus apus)
Com uma contribuição mínima de 20 €:
Abutre-preto (Aegypius monachus)
Grou (Grus grus)
Bufo-real (Bubo bubo)
Falcão-abelheiro (Pernis apivorus)
Nota: os valores indicados referem-se a apadrinhamento individual/particular. Caso pretenda ceder apoios através de uma instituição / empresa, os valores mínimos serão de 250€ para qualquer espécie indicada anteriormente (podendo ser deduzidos no IRS ao abrigo da lei do mecenato ambiental).
Ao apadrinhar um animal terá a possibilidade de assistir à sua libertação (se assim o desejar) e receberá um certificado de apadrinhamento. O seu contacto será inserido na lista de divulgação do CERVAS para que possa obter informações e fotos do animal apadrinhado e informações sobre as próximas actividades em que poderá participar, tornando-se, desta forma, um membro activo na dinamização da recuperação de animais selvagens em Portugal.
Além da possibilidade de apadrinhamento de animais, apresentamos também a campanha de apadrinhamento de projectos para 2008, para empresas ou particulares que queiram contribuir para a evolução do trabalho a desenvolver a partir do CERVAS.
Os projectos que já estão em curso são:
1. Treino de voo e Musculação de Aves Pré-Libertação
2. Estudos de Toxicologia em Aves Silvestres
3. Estudos de Parasitologia em Animais Silvestres
4. Educação Ambiental
5. Estudos de Microbiologia em Aves Silvestres
6. Plumoteca e Banco de Penas
7. Entomologia Forense aplicada a Espécies Silvestres
8. Percepções públicas em relação à Fauna Selvagem / Centros de Recuperação
Se estiver interessado em conhecer algum destes projectos com maior detalhe, ou se estiver disponível para contribuir financeiramente para o seu desenvolvimento, por favor contacte
cervas.pnse@gmail.com
Material necessário (que pode ser cedido como alternativa ao apoio financeiro, em ambas as campanhas):
- Aparelho de anestesia volátil
- Arcas congeladoras e frigoríficos
- Armários
- Máquina de cortar mato
- Medicamentos, luvas de látex e outros materiais de uso clínico;
- Estantes, mesas e material de escritório (resmas de papel reciclado, tinteiros, dossiers, etc.);
- Outros materiais diversos (balança de cozinha, rede de sombra, ferramentas várias, tesouras, sacos de plástico, etc.); e
- Materiais de construção (para apoio à construção de novas jaulas de recuperação).
Modos de pagamento :
- CHEQUE: Em nome de Associação ALDEIA enviado juntamente com a ficha de inscrição para:
CERVAS / Parque Natural da Serra da Estrela
Av. Bombeiros Voluntários, 8. 6290-520 Gouveia
- TRANSFERÊNCIA*:
NIB: 003504710001216793071 (Caixa Geral de Depósitos de Miranda do Douro)
* Enviar comprovativo de transferência por correio para a morada acima indicada ou por correio electrónico para
cervas.pnse@gmail.com
Os melhores cumprimentos,
A equipa do CERVAS/PNSE
--
O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) é uma estrutura que pertence ao ICNB – Parque Natural da Serra da Estrela e tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitates. As linhas de acção do CERVAS são a recuperação de animais selvagens feridos ou debilitados, o apoio e/ou a realização de trabalhos de monitorização ecológica e sanitária das populações de animais selvagens, o apoio e fomento à aplicação do Programa Antídoto – Portugal www.antidoto-portugal.org, a promoção da sensibilização ambiental em matéria de conservação e gestão dos animais selvagens e o funcionamento como unidade intermédia de gestão e transferência de informação e amostras tratadas através de parcerias científicas.